domingo, 22 de abril de 2007

Autobiografia

O místico é um sentidor
Sente tão completamente
Que chega a parecer dor
O êxtase que deveras sente

E os que vêem o que sente,
Duvidam que pode ser um bem,
Não os prazeres que ele teve,
Mas só as dores que tem

E assim, nos giros da roda
Gira, a dominar a razão,
Esse redemoinho de vida
Que é a alegria do coração

Este poema é minha versão do poema de mesmo título, escrito por Fernando Pessoa. Eu o dedico à Sonia Reis, psicóloga de Brasília.

Aqui está a versão original do Fernando Pessoa:

Autobiografia

O poeta é um fingidor
Finge tão completamente
Que chega a fingir que é dor
A dor que deveras sente

E os que lêem o que escreve,
Na dor lida sentem bem,
Não as dores que ele teve,
Mas só a que ele não tem

E assim, nas calhas de roda
Gira, a entreter a razão,
Esse comboio de corda,
Que se chama coração

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Um comentário:

Fernando Pessoa e o Camargo velho disse...

Olá, Zecabatuta...
No livrinho que publiquei em 2004, ALIÁS, O LIVRO DAS SÍNDROMES, coincidentemente, também andei parafraseando o FPessoa, na sua Autobiografia:

A Mídia é um fingidor
Finge tão completamente
Que chega a fingir verdade
A mentira que deveras mente

E os que ouvem o que ela diz
Na mentira dita sentem bem
Não as duas que ela disse
Mas só a que lhe convém

E assim na Mídia Eletrônica
Gira a entreter o povão
Essa galera sindrômica
Que se chama a 'Comunicação'!